terça-feira, 4 de agosto de 2009

Três pessoas

Três pessoas que passavam em uma pequena caravana, observaram um homem contemplando o entardecer do alto de uma montanha, de onde se via o Deserto do Saara.
“Deve ser um pastor que perdeu uma ovelha, e procura saber onde está”, disse o primeiro homem.
“Não, não creio que esteja procurando algo, muito menos na hora do pôr-do-sol, onde a vista fica confusa. Acho que espera um amigo”, disse o segundo.
“Garanto que é um homem santo, e procura a iluminação”, comentou o terceiro.
Começaram a comentar o que o tal homem fazia, e tanto se empenharam na discussão que quase terminaram brigando. Finalmente, para resolver quem tinha razão, decidiram subir a montanha e ir até o homem.
“O senhor está procurando sua ovelha?”, perguntou o primeiro.
“Não, não tenho rebanho”.
“Então, com certeza, espera alguém”, afirmou o segundo.
“Sou um homem solitário, que vive no deserto”, foi a resposta.
“Por viver no deserto, e na solidão, devemos acreditar que é um santo, em busca de Deus, e está meditando!”, disse, contente, o terceiro homem.
“Será que tudo na Terra precisa ter uma explicação? Pois então, eu explico: estou aqui apenas olhando o pôr-do-sol. Isso não basta para dar um sentido às nossas vidas?”
(Paulo Coelho)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Amanhã

“Muitos de nós temos obsessão pelo dia de amanhã. Planejamos, nos preparamos e investimos nosso cabedal de conhecimentos e capacidades não para encararmos o cotidiano, mas de olho num hipotético futuro, cujos limites indeterminamos. Trata-se de um erro, que pode trazer conseqüências danosas para quem age assim. O futuro se constrói hoje, fazendo o melhor possível em cada instante que vivemos e gozando as muitas e muitas delícias que a vida tem a nos oferecer. Da soma do que fizermos e do que gozarmos no dia a dia é que construiremos um amanhã melhor e mais promissor. O escritor Jonathan Swift constatou: “Muitos poucos são os que vivem no presente: a maioria se prepara para viver mais tarde”. Não se trata de abrir mão de planos a longo prazo, longe disso. O que não podemos é adiar esses projetos indefinidamente, sacrificando nossa alegria e felicidade e a dos que nos amam e conosco convivem. Reitero: o amanhã se constrói hoje!”

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A esperança

A esperança, ao contrário do que se pensa, não é algo apenas subjetivo e, portanto, sem fundamento prático (a menos que, aquilo que esperamos alcançar, seja impossível). Ela é fruto da nossa intuição, que “sabe” que o que tanto desejamos está ao alcance das nossas mãos. Apenas desconhece “como” fazer isso. Daí esse sentimento ser tão persistente e consolador. William Shakespeare escreveu, numa de suas tantas peças: “A esperança, muitas vezes, é um cão de caça sem pistas”. E é mesmo. Ou seja, ela sente o “faro” do alvo, embora não saiba onde ele se encontra. Para encontrá-lo, requer-se persistência, constância e, acima de tudo, ação. A esperança, desprovida de atos, é inócua. Não raro, é sucedida pelo desespero. Portanto, quem espera um amor, uma amizade, uma promoção ou um emprego (não importa), tem que se esmerar na sua procura. O “cão de caça” apenas fareja a pista. Compete ao caçador encontrá-la.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pequenos


Não raro, superestimamos a capacidade dos que nos cercam, ou das personalidades que se nos tornam familiares pelos meios de comunicação, e subestimamos nosso potencial. Achamos que não somos talhados para grandes realizações e, de tanto nos apequenarmos, nos tornamos, de fato, pequenos. Todos, porém, têm sua importância no mundo. Nenhum de nós é mero espectador da vida, mas todos somos seus protagonistas, com papéis maiores ou menores, na dependência do nosso preparo, afinco e esforço. Nunca esqueço destas sábias palavras do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, herói na luta anti-apartheid, ditas num memorável discurso: “Nos perguntamos; ‘Quem sou eu para ser brilhante, talentoso e incrível?’. Na verdade, quem é você para não ser tudo isso? Bancar o pequeno não ajuda o mundo”. Não banquemos, pois, “pequenos”. Sejamos autoconfiantes e ousados, pois, potencialmente, também somos brilhantes, talentosos e incríveis.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Atos

Há quem entenda que na vida só são importantes grandes causas, obras duradouras, reflexões profundas e que essas deveriam ser nossas preocupações exclusivas, o tempo todo. Todos nossos atos, porém, dos mais rotineiros e aparentemente banais, aos grandiosos e especiais, importam. A questão está na dosagem. Ou seja, em não se perder a oportunidade de usufruir as pequenas alegrias, nem deixar de gozar instantes de ócio, sem, contudo, concentrar nosso tempo todo apenas neles. Há espaço para tudo para os que são equilibrados. Edgar Morin faz a seguinte comparação: “A vida é prosa e poesia. Prosa é o prático: alimentar-se para viver, consumir, etc. Poesia é viver na intensidade, cultivar a emoção, exaltar-se”. Claro que a exaltação a que o poeta se refere é a positiva. Não é a altercação, por qualquer motivo, com quem quer que seja, mas abrir o coração e usufruir plenamente o que nos agrada, enleva e dá prazer.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Janela da alma

domingo, 19 de julho de 2009

Relacionamento


“Um dos maiores desafios que temos, desde que tomamos consciência de nós, do mundo e das pessoas com as quais convivemos, é o do relacionamento pacífico e harmonioso com o próximo. Julgamos que os conflitos, inevitáveis (e não importa seu tamanho ou intensidade), só advêm da diferença de idéias, conceitos, gostos e pontos de vista. Na verdade, este não é o único, e nem mesmo o maior dos obstáculos para relacionamentos saudáveis, harmoniosos e duráveis. O cerne da questão está, sempre, na administração de interesses. Até instintivamente, colocamos, sempre, os nossos acima do das demais pessoas, mesmo das que amamos. Alguns (raros) conseguem vencer esse desafio e conquistam a felicidade. Outros, se não a maioria... Daí concordar com a conclusão de Alexis de Tocqueville quando afirma: “Mais que as idéias, são os interesses que separam as pessoas”. E não são?! O remédio é um só: aprendermos (e exercermos) a arte da conciliação.”