quinta-feira, 19 de junho de 2008

Sinceridade

A palavra sincero é derivada de “sine-cera” (sem cera). E, grego, “eili-krinés”, de eile (calor ou fulgor solar) e krinés (testado). Literalmente: testado pelo Sol.
Os antigos gregos e romanos fabricavam vasos de cerâmica e porcelana finíssima. Mas alguns vasos rachavam ao calor do forno. Mercadores desonestos tapavam as rachas com cera branca, invisível, da cor do vaso.
Somente quando expostos ao calor do Sol, no mercado, o vaso revelava ser remendado com cera. Por isto os mercadores honestos marcavam os seus produtos com a palavra “sine cera” (sem cera), em grego “eilikrinés” (à prova de sol).
Daí, sincero; o que não foi falsificado. (H. Rohden).
É preferível a gentileza externa do que a grosseria. Mas o que é superficial não é sincero. A sinceridade é também conosco mesmo, interna. A sinceridade exige um passo a mais: a observação dos nossos pensamentos, das nossas emoções, dos nossos impulsos à Luz da nossa Consciência crística, assim, eles revelam suas rachadura ou integridade.
Um íntimo fingido é impecilho à felicidade, que depende de harmonioso relacionamento com Deus e com o nosso próximo.
A hipocrisia, a insinceridade, é sinal de fraqueza e imaturidade espiritual. A alma madura emprega, ante a malícia do mundo, a prudência.
Placebo de coragem
O marajá refletiu tristemente sobre a covardia que notava em seu filho único, adolescente, herdeiro do trono. Como poderia infundir-lhe decisão e coragem, para que vencesse as provas dos príncipes, que teria de enfrentar dali a dois anos? E como poderia impor-se como futuro marajá?
Mandou chamar um grande sábio e consultou-o. O erudito ancião conversou com o príncipe e deu-lhe um misterioso talismã que o livraria de todos os riscos de vida.
Dali por diante o rapaz foi cobrando coragem e chegou a surpreender o próprio pai com suas demonstrações de arrojo.
Quando o moço atingiu dezoito anos, participou do famoso torneio dos príncipes. Era uma semana de provas diversas, para testar as qualidades dos nobres que seriam recebidos como adultos. O príncipe se distinguia em tudo.
Outro príncipe, invejoso, descobrindo que ele tinha um talismã, roubou-o à noite, tirando-lho enquanto dormia. De madrugada o acampamento foi invadido por um grande tigre.
O príncipe foi acordado com os gritos e, investindo com uma lança, matou a fera de um golpe! Só depois notou que estava sem o talismã, mas continuou o torneio com o mesmo denodo e destreza.
Terminado o torneio ele foi inquirir o sábio e este, sorrindo, lhe respondeu: “Era apenas para despertar o que você ignorava possuir”.
E você, leitor, ainda precisa de talismã?

Um comentário:

Neusa disse...

Olá. Vim agradecer pelo voto no Halma e fiquei aqui parada, lendo todos os posts. Gostei demais, as mensagens são lindas. Beijos